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Consciência Negra - Diga seus nomes!

Renato Orozco

No dia da consciência negra, somos bombardeados com mais uma violência que desconsidera a vida de uma pessoa. João Alberto Silveira Freitas é espancado por um policial e um segurança, durante sua visita ao supermercado Carrefour.

Escrevo pela primeira vez no blog do idealist, emocionalmente abalado pela violência e sensibilizado pelo relato da Aline Sarto, de nossa equipe de comunicação, que compartilhou estar em prantos e que:

Sentindo que parte, algo em mim também morre. Não sei... algo meu, da minha história, do meu passado, do meu futuro. Algo nosso, coletivo. 

Minha amiga e vizinha Lisa Jarnot, iniciou uma manifestação local de cunho anti-racista no bairro em que vivemos em Nova Iorque. Acontece semanalmente, desde o assassinato de George Floyd em Maio de 2020 até hoje. Todo Domingo, às 10h, um grupo de vizinhos que reconhece o problema de violência racial e racismo estrutural na sociedade permanece em meditação, no meio da rua, em frente ao nome das vítimas de violência racial nos Estados Unidos.

Esse protesto silencioso tem servido para sensibilizar nossos vizinhos sobre a violência racial, nos permite sentir nosso próprio luto e revolta e conectar com outras pessoas que tem sentimento semelhante. Pode parecer algo muito pequeno, mas é um primeiro passo para sensibilização das pessoas - e de nós mesmos, que nos reunimos neste gesto - de que alguma coisa precisa mudar rápido pois a situação atual é inaceitável.

Escrevemos o NOME de cada uma das vítimas do racismo com giz e meditamos dentro do quadrado acima do nome

Faça você também:

O processo é bem fácil. Toda semana, no mesmo horário, nos reunimos em um lugar público e escrevemos o nome das vítimas de racismo com giz, no chão, logo à frente de um quadrado, que é onde nos sentamos. Ficamos 20 minutos em silêncio.

Alguns de nós seguram cartazes ou fotos com o nome da vítima. No centro, deixamos as fotos das vítimas e uma flor ou vela, e escrevemos Black Lives Matter (vidas negras importam), para que as pessoas saibam por quem estamos lá. Alguns dos quadrados ficam vazios como forma de convite para novas pessoas se juntarem ao grupo na manifestação silenciosa.

Após os 20 minutos, nos reunimos no centro e compartilhamos como nos sentimos e como foi a experiência.

É muito forte estar sozinho com seus próprios pensamentos nesses 20 minutos de silêncio. Nesses momentos, reflito sobre meus privilégios, sobre como seria sofrer essa violência, sobre como muitas vezes me vi insensível - anestesiado até, pela "normalidade" da violência no Brasil - e a importância de nos posicionarmos, estarmos solidários e ativos na transformação necessária.

Caso queira se conectar com outras pessoas de sua região para fazer essa ação, cadastre um grupo de protesto anti-racista aqui e te ajudaremos a se conectar com outros idealistas.

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peaceful protest #JacksonHeights #BlackLivesMatter #RIPGeorgeFloyd #RIPAhmaudArbery #BreonnaTaylor and every other human brutalized around the world pic.twitter.com/U4PQxeULvy

Como nos diz a Lisa,

Nenhuma vida será importante até que as vidas dos negros também o sejam

Não deixe que sejam esquecidos:

João Alberto Silveira Freitas, 19/11/2020, espancado até a morte em frente de sua esposa por um segurança do supermercado Carrefour e um policial militar.

Miguel Otávio Santana da Silva, 3/06/2020, morto aos 5 anos de idade por negligência da patroa de sua mãe

João Pedro Matos Pinto, 18/5/2020, adolescente de 14 anos assassinado com um tiro nas costas durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).

Evaldo dos Santos Rosa, 07/04/2019, ia com a família para um um chá de bebê quando o carro que estava com a família foi alvejado com 80 tiros. Ele morreu na hora.

Pedro Henrique Gonzaga, Douglas Martins Rodrigues, Claudia Silva Ferreira, Eduardo de Jesus Ferreira, Roberto de Souza Penha, Carlos Eduardo Silva de Souza, Cleiton Corrêa de Souza, Wilton Esteves Domingos Júnior, Wesley Castro Rodrigues, Evaldo Rosa dos Santos, Luciano Macedo.

E tantos outros.

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Renato Orozco

Renato Orozco é gerente de língua portuguesa no idealist.org.

Possui MBA em Impacto Social pela Universidade de Boston e Mestrado em Economia Política Internacional pela Universidade de Tsukuba, Japão. Foi especialista em políticas pública e gestão governamental, consultor organizacional e fundou a Associação Nossa Cidade.

Você também conhece as ideias dele no canal do Youtube Idealismo e Transformação Social.